terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Caio Fernando Abreu

"Eu tenho uma sensação meio de amargura, de fracasso.
Você me entende?
Como se tivesse a obrigação de ter sido, ou tentado ser, outra pessoa."

sábado, 23 de janeiro de 2010

"...Há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo. Pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada. Uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade; sei lá de quê!"

(Florbela Espanca)

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Monstros

Existe um monstro ali. Escondido em cada passo em falso, em cada gesto inconsequente, em cada momento de desespero mal disfarçado...A vítima o abriga e nem se dá conta do fato. Oferecendo calor nas noites frias e brancas, nas noites vermelhas e sorridentes, nas noites quentes e desidratadas, nas noites lentas e anestesiadas, ela o alimenta. Existe um monstro ali. Ninguém percebe seu olhar guloso, seu olhar depressivo, seu olhar suicida...Alimentando-se da dor e da sedutora autodestruição ele cresce. Ele cresce. Seus irmãos sono e morte o ajudam silenciosamente, com subterfúgios, facilidades e regalias. O fechar de olhos momentâneo e inofensivo, o gás que impregnam e intoxica, o sono falso que nunca é desperto. A garagem, a cozinha, o banheiro...As lâminas, o aço, o ferro, o frasco de comprimidos. A água, o álcool, o fogo, a brasa, as cinzas...Facilidades...Amizades...Existe um monstro ali. Sim, sim. Faz um tempo que eu percebi. E eu o alimento. Eu o acaricio. Não tenho vergonha, nem peço ajuda. Espero o dia da mordida, o dia da fuga. Espero ansiosa, espero sem medo...Existe um monstro ali no espelho...

sábado, 16 de janeiro de 2010

P.S.

Depois do relato do ultimo post vc deve estar se perguntando pq eu continuo saindo?! Um motivo bem simples...q só estou escrevendo aqui pra deixar registrado mesmo. Não quero mais chorar. To cansada. Os meus olhos ficam o dia todo irritados. E se eu sair, eu não vou chorar. Pois como já disse aqui, meu orgulho n permite q eu fraqueje a tao ponto pra deixar alguem me ver chorando. Simples não? Por enquanto da funcionando.

E-mail enviado para o Psiquiatra

Dr Ricardo...eu acho que tem uma coisa que você precisa saber, eu tenho 22 anos, há 22 dois anos eu estou viva...mas eu devo ter acumulado idade das vidas passadas, porque a cada dia que passa eu tenho mais certeza de que sou uma velha e chata. Sendo BEM SINCERA...eu dúvido que você me analise tanto quanto eu analiso as pessoas ao meu redor. Não estou falando de analisar a roupa da pessoa, se ela está na moda ou cafona, é claro que pela maneira da pessoa se vestir maquiar e arrumar o cabelo você já pode ter uma idéia de como a pessoa está se sentindo ou o que ela está pensando. Mas eu analiso o comportamento das pessoas, não só dos meus amigos, mas principalmente deles, eu analiso cada movimento, analiso o que eles olham, para quem eles sorriem, quem eles cumprimentam. Eu analiso tudo. E sempre chego a uma conclusao: Eu nasci na época errada, porque eu não consigo me acostumar e me adaptar com toda essa modernidade e liberdade que as pessoas tem. Eu confesso que de vez em quando eu tomo minhas cervejinhas, moderadamento, mesmo sabendo das consequencias, mas nunca, em nenhum momento de todas as vezes que eu bebi, eu passei a acreditar que tinha uma mola na minha bunda e comecei rebolar descontroladamente, ou então ficar atrás de um homem me esfregando nele. Eu confesso, eu fico horrorizada. E isso vai de menininhas de 15 anos até mulheres mais velhas que já foram por anos casadas e tem filhos e simplesmente não sabem se comportar. Eu tenho uma amiga, que eu adoro ela, tenho um carinho muito grande e há anos nos conhecemos, mas nos ultimos anos ela tem andado em más companhias, ontem eu fui num barzinho e ela e as novas amigas chegaram e ficaram na minha mesa...eu fui pro outro lado da mesa, por já comecei me sentir mal de ficar ali, de repente, o irmão dela olha bem na minha cara e diz assim: ai Eme você é muito comportada. Eu respirei fundo e dei uma risadinha pra não dizer: Eu não tenho culpa por a tua irmã ter virado uma puta com o passar dos anos e eu não. Se você apoia esse comportamento meu irmão e meus pais não apoiariam. É o fim do mundo, eu estou de boca aberta, apavorada. Embora eu seja da mesma geração da maioria das minhas amigas, e seja uma pessoa cheia de medos e me considere uma pessoa covarde, é lógico que eu não vou demonstrar e admitir isso pra ninguém que não seja você que é meu psiquiatra, mas assim, eu ainda me considero uma mulher independente, corajosa, de atitude, pago minhas contas tenhos meus planos, dirijo, vou onde quero, não preciso de ninguém pra pagar minha entrada ou a minha bebida, defendo meu ponto de vista (até demais), e pra mim, ser uma mulher de verdade é isso, ser independente e lutar por aquilo que acredita. Mas ao meu ver, ser mulher de verdade não é ter atitude e passar a mão na bunda de um homem no meio de uma festa, não é ficar encarando o cara até ele perceber que ela ta olhando, quando eu percebo que tem alguém me olhando eu me sinto envergonhada e procuro ficar de costas, mas eu ainda sou do tipo que espero que o homem venha falar comigo, e sabe, a vulgaridade virou moda, nas pequenas e grandes cidades, qualquer idade (pelo menos as que frequentam as mesmas festas que eu) estão seguindo essa tendência. Acho que é por isso que eu me sinto um peixo fora d'agua no mundo que eu vivo, e é por isso que principalmente nos últimos meses, eu vou pras festas e os meus amigos me perguntam se está tudo bem comigo, se estou passando mal, mas eu não consigo me sentir a vontade, não consigo nem quero ser como essa gente. E sendo bem sincera, bem dramatica, eu prefiro viver isolada do mundo, uma verdadeira solidão, do que me igualar a eles, e não é só pela minha família, ou pelo que os outros vão pensar, mas é que eu acredito que esse tipo de conduta seja errada, não combina comigo. E daí eu vivo assim: indignada, daqui uns dias eu vou ter que voltar no ortodonto por problemas na arituculação de tanto ficar com a boca aberta. Agora eu acredito que tá chegando perto do fim do mundo!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010


...Então recomeça o ciclo. Um pouco aqui. Um pouco ali. Noites sem dormir. Momentos sem sorrir...A falta toma conta. A inércia parece normal. Uma insônia infernal. Quando foi que "inofensivo" tornou-se mortal? Mas isso não é presente. Não te desesperes. Quando estás ausente, existe sim, o perigo sempre real e constante. Mas ao teu lado ele está contente, será o suficiente? Parece um recomeçar constante, um fim (de novo) decadente. Um bem estar inconsciente. Chega destes "entes", destas rimas exaustivas e frequentes...Existe um passado que parece sempre inacabado. Que sempre o força a tentar o impensado, a ferir seu ser amado. Ele, sim, ele... o pecado. Não...não é pecado. É um ato impensado. Condensado...Ah! Chega de "ados" e fados e fardos! Falarei a verdade: ele não está mais contente. Ele não vai mais recomeçar nada. Ele não vai...voltar...Não foi suficiente, a ausência foi muito grande, o vazio ganhou. O vazio o levou. Sua lápide é o que restou.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Eu por mim mesma


Não gosto de ser comum, não procuro ser diferente, não quero ser alguém que não a mim mesma. Não suporto fingir, não sou de levar desaforo, não fico calmar, não deixo rolar, não tenho paciência, não nego o que sou. Não sei esconder o que sinto, não tenho medo de dizer o que quero. Não calo, não abraço quem não quero, não faço nada que não quero. Não minto para ser bacana, não curto coisas da moda, não mudo meu jeito. Não me importo com o que pensam, não gosto de rimas, não estou nem aí pro mundo certinho, não me comporto como uma sombra, não consigo adiar minha felicidade, não mascaro meus desejos. Não deixo nada, nunca, pra depois. Não penso em casamento, nunca aprendi amar direito, não quero envelhecer, adoro a solidão. Não despenso meus amigos, NÃO detesto samba, não me envergonho das escolhas que fiz e faço. Não sou mais tão jovem (?), não tenho elasticidade, não gosto de ser repreendida, não me importo de ser quem eu sou. Não tenho mais tempo pra muitas coisas, não tenho mais fôlego, não deixo de sorrir quando me faz bem. Não seguro lágrimas, não disfarço antipatia, não controlo minhas grosserias. Não guardo minhas bobagens. Não aprendo com os erros. Não perdoo ingratidão, não tenho um gênio fácil, não sou bem humorada. Não esqueço (de nada), não ignoro quem me ajuda, não abandono quem me ampara, não fico bem sem cafuné. Não reparo em carros, não dou a mínima pra status, não gosto de esperar. Não me importo com minha bagunça, não vivo sem minhas lembranças. Não leio poesia barata, não gosto de romances cotidianos. "Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer nada. A parte disso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

Prazer em ser o oposto! Se decepcinou? Em frente e siga em frente...ou não!